Flávio Lúcio do Carmo Miranda, de 28 anos, foi um dos aprovados no processo seletivo do SENAI Bragança para o curso de qualificação de Mecânica de Motocicletas, com uma das maiores notas. Nada de diferente até então, não fosse pelo fato do aluno ser deficiente visual.
A presença dele e de outros diversos públicos (mulheres, idosos, indígenas) nesta e em outras turmas faz parte do Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI) que busca formas de melhor atender estes grupos. Segundo Flávio, fazer um curso profissionalizante é um sonho realizado. "Sempre quis ser mecânico de motos e vim para o SENAI fazer o curso e ser um profissional bem qualificado. Terei outros desafios pela frente, mas a partir de agora terei chances como qualquer profissional da minha área”. Em seu deslocamento até o Centro de Educação Profissional, ele conta com a ajuda do sobrinho que também está matriculado no curso e o auxilia nas leituras do material didático. O transporte até a aula é feito em uma bicicleta especial, confeccionada pelo próprio aluno e familiares. Fávio nasceu com boa visão, mas foi perdendo-a gradativamente devido uma doença degenerativa.
A interação com os demais colegas do curso também contribui para o seu desenvolvimento e aprendizagem, uma troca constante, garante o diretor do Centro de Educação Profissional (CEP) de Bragança, João Rui Teixeira. "Receber um aluno com estas referências é muito estimulante, pois ele aprende conosco e nós aprendemos com ele. Uma das maiores lições de vida é a persistência e a vontade de aprender algo novo apesar das dificuldades”, afirma Teixeira.
Flávio a direita, a direita, aplicado aluno do curso |
Estudantes do curso para deficientes visuais de Bragança |